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“O tempo perguntou pro tempo quanto tempo o tempo tem. O tempo respondeu pro tempo que não tinha tempo pra falar pro tempo quanto tempo o tempo tem.”

Faz dois meses que mudei de cidade e de emprego. Acredito que essa tenha sido a maior reviravolta da minha vida. Pra alguém que sempre morou no mesmo lugar, na casa da mãe, ver-se em uma cidade distante, sem conhecidos, vivendo em um quarto de hotel e comendo cada dia em um lugar diferente, é bem desconfortável.

No entanto, esse desconforto gera crescimento pessoal. É inevitável a mudança de hábitos e também a mudança de perspectiva.

Minha semana, antes, era bem tumultuada de compromissos. Por mais que não gostasse de não ter tempo sobrando, havia me acostumado de, certa forma. Quando mudei pra esse novo horário, em que todos os dias me sobram horas e horas vagas, estranhei.

A primeira coisa que pensei foi em investir esse tempo em algum trabalho extra. Como a cidade é pequena, faltam muitos serviços. Pra alguém formado em Marketing, é um mar de oportunidades.

Mas, gastar meu tempo com mais trabalho pra quê? Pra ganhar mais dinheiro? Sou solteiro, meus gastos são mínimos. Minha renda, apesar de não ser gigantesca, é maior do que a renda de grande parte das famílias brasileiras. Então, do que vai adiantar angariar mais alguns trocados, se não tiver tempo, nem saúde mental pra gastar?

Agora tenho a oportunidade de investir tempo em coisas que antes não me eram possíveis. Quero aprender a tocar violão, aprender novos idiomas, ler mais livros, assistir mais filmes, mais seriados, passar a frequentar academia, entrar num curso de dança, fazer uma pós-graduação…

Como um velho colega uma vez me disse, “Ter tempo é questão de organização”.